quinta-feira, março 10, 2005

Closer




"Eu não estou preocupado com "bons" e "maus" aqui, nem em julgar os personagens. Isto é o que eles fizeram, isto é o que eles disseram. Como eles se conduziram, não é problema meu. O público os verá como quiser, e podem discordar uns dos outros, mas espero que reconheçam algo de verdadeiro."

A citação acima é do escritor da peça de teatro "Closer", Patrick Marble, encenada pela primeira vez em 1997 em Londres e já produzida em mais de 100 cidades por todo o mundo, tendo sido traduzida em mais de 30 línguas. Não por acaso, tornou-se um laureado filme homônimo, que concorreu a alguns Oscar por interpretações de seus atores.

Mas mais significativo do que isto, há um fato que poucos filmes conseguem fazer, que é deixar os espectadores pensando nele depois de saírem do cinema. E mais, não só pensando, mas profundamente afetados pela história e sem saber bem o que foi que realmente aconteceu. Procurando entender melhor tudo isto, você acaba encontrando todo tipo de opinião, de quem odiou a quem amou o filme. De quem afirma peremptoriamente que aquilo é a vida, passando por aqueles que se recusam terminantemente a acreditar que aquilo possa ser confundido com amor. Há também quem não julgue, mas que se pergunte: se é assim, para que amar ? Um certo consenso é de que é necessário assistir de novo para tentar entender.

Um filme pois que nos faz recordar o velho adágio de Aristóteles, que diz que todo conhecimento começa do espanto. É exatamente disto que ele está falando, quando o espanto não nos permite outra alternativa senão compreender suas razões de ser. Eis o princípio de todo conhecimento legítimo que não se resuma a mero "enciclopedismo". Eis um filme perfeito, senão para adquirirmos qualquer conhecimento, ao menos para sabermos que, quando algo espanta assim, é porque nos interessa mortalmente entender alguma coisa.

Eu de minha parte, também me espantei. O filme também me incomodou. Quando li o que disse o escritor da obra confirmei uma primeira impressão que era exatamente a de que no filme, não há bandidos, nem mocinhos. Sequer personagens principais e coadjuvantes há ali. Os personagens principais, arrisco dizer, somos eu e você, essa geração que feliz ou infelizmente vive nesse início de século XXI, que se acredita tão avançada e não sabe sequer o que quer da vida. Pior, não sabe sequer que pode querer algo mais da vida. Se há um coadjuvante, este é o amor. Não porque o filme assim o retrate, ao contrário. Mas porque hoje somos incapazes de reconhecer verdadeiramente o que é o amor. E arrisco novamente: neste filme, o amor se fez presente, ainda que para dizer que não estava ali.

E é este o algo verdadeiro que está presente no filme, independente de gosto ou não. É isto que precisamos reconhecer, ainda que para discordar. Como aliás, eu discordei da primeira vez que o assisti. Depois de vê-lo uma segunda vez (eu mesmo me achei um masoquista, mas depois de vê-lo, agradeço a mim mesmo permitir-me assistí-lo de novo), não pude negar que o amor estava ali, mas como só pode estar o amor numa época que coloca os pés pelas mãos a todo instante. Gostando ou não do filme, alguma coisa ali diz mais do que gostaríamos que dissesse. E este é o seu maior mérito. E é isto que incomoda tanto.

Mas não é fácil falar sobre isto. O risco de não ser sequer entendido é imenso. Mal entendido então, será inevitável. Mas não me preocupo com isto, porque eu mesmo discordava do que vou adiante dizer. Mas não mais. Não quando se reconhece, não só da boca pra fora, que o amor não é um sentimento, mas um ato de vontade. Que tenha olhos quem queira ver, que tenha paciência quem ainda não enxergou. A única coisa que espero é que o incômodo que por ventura o filme lhe deixou, não se vá embora tão cedo.

Eis um filme para ser esquecido. Infelizmente para os que não o compreenderem. Felizmente para quem o compreendeu. A ele, pois.


NO FRONT DE BATALHA

O filme, a bem da verdade, é a história de uma guerra. Não entre machos pelo amor de uma fêmea. Não de duas fêmeas pelo amor de um macho. Mas uma guerra do amor e pelo amor mesmo. Temos dois "conceitos", por se dizer assim, do que é o amor. E ambos lutam entre si para prevalecer sobre o outro. O filme incomoda porque quem vence não é quem gostaríamos que vencesse, mas é quem realmente sempre tem que vencer.

Os dois "conceitos" (não gosto deste termo porque não se trata de teoria e isso só causa confusão, mas enfim, na falta de tu, vai tu mesmo) são nada mais do que o amor visto pela ótica do "amor romântico" e aquele visto pelo fundamento de um compromisso que é embasado num ato de vontade, de escolha.

No canto direito, vestindo a delicadeza, gentileza e um balde cheio de sentimentos supostamente lindos, temos Dan e Anna, personagens de Jude Law e Julia Roberts. Defendem eles o amor romântico.

No canto esquerdo, vestindo nada mais do que uma firme convicção e uma sonora força de vontade, Larry e Alice, personagens de Clive Owen e Natalie Portman. Defendem eles o amor como um ato de vontade.


1º. ROUND

O filme começa com o encontro entre Alice e Dan. Um encontro de "amor à primeira vista", cheio de detalhes bonitinhos e que nos enternecem e já nos deixam torcendo pelo casal. Quando depois de cinco minutos acompanhando o nascente romance com tudo aquilo que ele tem de mistério e jogo, sentimento e vontade, nem percebemos que Dan confessa a Alice que tem outra mulher. Isto não nos parece nada demais. E não nos parece nada demais porque não queremos que seja nada demais. Não diante da boniteza daquele encontro.

Quem definitivamente já caiu de amores pelas gracinhas e frases de ambos somos nós, viúvas de romance, viúvas de momentos como aquele, com estranhos ou não, mas que pareçam completos pela possibilidade que nos parecem abrir. Todo início de romance apaixonado parece dar à vida um sentido pleno. E é por isto que torcemos tanto para que dê certo. Queremos portanto, romance, queremos que eles dêem certo, queremos um amor "de verdade" que nos lembre como deveria ser o nosso amor ou como de repente, já vivemos um dia. É a velha história da paixão que quase sempre há em todo início de romance. É a fase do paraíso, onde tudo é lindo, incluindo os defeitos do ser amado.

Mas a forma como Anna e Larry se encontram não é nada legal. Um sujeito que acredita que encontrou uma mulher (?) num "chat" de internet e que realmente aquilo vai acabar em sexo selvagem é, confessemos, um coitado. Mas ele consegue ser mais coitado. Eis que ele encontra realmente uma mulher no local proposto. Coloque-se agora, por um instante, no lugar dele. Você não faz idéia de quem vai encontrar e vamos dar de lambuja que nem lhe passa pela cabeça que pode não ter sido com mulher nenhuma que ele "teclou". E é claro que estando num lugar público você não vai sair falando as safadezas que descreveu pela internet, por um mínimo de pudor e vergonha das demais pessoas. Ou seja, o mínimo que se exige de alguém nessa situação é uma certa reserva e um cuidado redobrado para comprovar que quem ele encontra é realmente quem ele "conversou" via internet. Sob pena não só de parecer ridículo, mas também perigoso... E o que ele faz ? Certifica-se antes para saber se ela é quem ele pensa que é ou "cai matando em cima" como um desesperado por sexo ? É claro que sai falando as mesmas bobagens da internet para aquela moça ali sentada, como se Anna fosse um nome muito raro... Larry não parece só um coitado neste primeiro momento em cena, mas consegue alcançar um cúmulo, o cúmulo da coitadice.

E ela, o que faz diante do ridículo ao seu lado ? Mantém uma distância mais do que prudente ou dá trela a alguém que pode ser, vai saber, inclusive perigoso ? Do ponto de vista dela, a mais simpática das impressões que Larry pode deixar é que ele é um coitado desesperado por sexo. Mas ela dá trela mesmo assim. Se coitadice é o que você quer, então coitada você deve ser. E nesse caso, diga-me o que queres que te direi quem és: uma tonta. Se Larry é o cúmulo da coitadice, Anna é o cúmulo da tontice. Mas eles vão conversando e em conversando vão nos parecendo mais "normais", menos imbecis. Do lado de fora do aquário, se nos esquecermos de como eles se conheceram, simpatizamos mais com o novo casal. E se não tem um primeiro encontro tão "perfeito" como o de Alice e Dan, não deixa de ter seu encanto pela delicadeza do presente de aniversário dele para ela.

Claro que, no decorrer do filme, essa primeira impressão dos casais e dos personagens, vai mudando muito. Larry vai terminar o filme longe de ser um coitado, epítome que caberá bem melhor à Dan. E Anna, embora ainda tonta, não representa seu cúmulo, eis que apesar de tudo, termina o filme com quem deveria terminar mesmo. Alice não é tonta, sabe o que quer. E recusa ser tratada como uma coitada. Mas no final das contas, é provável que tenha saído do filme muito mais perto da coitadice do que de qualquer outra coisa.

Mas por que falo do primeiro encontro ?

Porque ele é a medida de todo o relacionamento para um defensor do "amor romântico". É o impacto da paixão que nasce, do sentimento que aflora tomando todo o ser, é a alegria de um futuro feliz e completo que se apresenta e que se vive antecipadamente desde já. É este o ideal do amor romântico, que o primeiro encontro dure para sempre como foi pela primeira vez. Que ele pode ser encantador como o de Dan e Alice, não resta dúvidas. Por isto acreditamos que o amor começa quando nos apaixonamos, quando há a primeira vista, como Dan e Alice, ou o primeiro gesto carinhoso como Anna e Larry (quando este lhe compra um balão pelo seu aniversário). É o sentimento da paixão que acreditamos ser o verdadeiro termômetro do relacionamento. Eis o amor romântico.

Pelo lado contrário, acreditamos que o amor começa quando decidimos que é com aquela pessoa que por ventura nos apaixonamos ou não, que queremos ficar. Não só hoje, nem só amanhã, mas para sempre. Se Dan e Alice nos mostram uma paixão à primeira vista, Larry e Anna não nos mostram mais do que uma intenção de se apaixonar. Quando sabemos que estão juntos, mais adiante no filme, temos a certeza que o primeiro passo foi um ato de vontade de ficarem juntos, mas não resta dúvidas que ao menos Larry, se apaixonou realmente por Anna.

"Que o amor seja eterno enquanto dure" é frase que pode ser usada por ambos os partidos. Neste primeiro round, o amor romântico ganha por pontos. Poucos é verdade, mas ganha.


2º. ROUND

Mas falta ainda o primeiro encontro de Anna e Dan, no local de trabalho daquela. É a primeira vez que Anna simplesmente se deixa levar pela situação. Dan manda que ela vá até ele e ela vai. E se entrega. Só depois do primeiro beijo, Anna descobre que Alice ainda existe na vida de Dan e se recusa a continuar o jogo. Ela se apaixona, mas por um ato de vontade, tenta afastar Dan, já que ele tem outra. E ainda pergunta a ele porque está desperdiçando o tempo de Alice. Esta cena que nos mostra Anna aparentemente mais forte, agindo de modo correto, torna a tontice dela na cena em que encontra Larry (que é posterior a seu encontro com Dan), muito mais impactante.

Anna assim, desde já, se mostra muito ambígua. Num primeiro momento recusa se lançar num romance pela paixão que sente à primeira vista por Dan, mostrando que percebe que o amor não é só "romance", mas também um ato de vontade. Mas na cena com Larry parece que se entrega ao primeiro que fizer um agrado, ainda que pareça um idiota. Anna vai balançar o filme inteiro entre a falta de vontade para manter um compromisso que ela sabe ser melhor para ela, com Larry, e a paixão que sente por um homem que ela sabe ser uma "criança", com Dan. E essa ambiguidade vai até o final, mesmo aparentemente mostrando que ela enfim decidiu-se entre ambos.

Mas interessa aqui particularmente é que Alice, que chega logo depois deste beijo, percebe que Dan se encantou com Anna e descobre que ouve um beijo entre ambos. Ela desmascara Anna, depois da saída de Dan, mas Anna diz que não é uma ladra. Alice apenas insiste que ela tire seu retrato triste, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Porque ela sabe que vai perder Dan. Porque sabe que ele se apaixonou e é incapaz de controlar seu sentimento.

Muito tempo depois, quando Dan termina o relacionamento com Alice para ficar com Anna, ele confessa que estava já com esta há muito tempo. E alega que está apaixonado por ela, acreditando que isto implica uma inevitabilidade do destino, que ele nada pode fazer contra os "caprichos do coração". Mas Alice responde com firmeza: "Ah, como se isso não fosse uma escolha. Como se não tivesse um momento, sempre tem um momento. Eu posso fazer isto. Posso ceder ou resistir. Eu não sei quando foi seu momento, mas aposto que houve um."

Eis em toda plenitude a grande diferença entre o amor romântico e o amor como ato de vontade. Dan acredita que se deve deixar levar pela paixão, pelo coração, pelo sentimento. Alice acredita muito mais no ato de vontade, porque ela sabe que ainda que a paixão seja necessária para o início do relacionamento, só um ato de vontade faz com que este dure no tempo e para além do tempo.

Afinal, se o amor é um sentimento, uma paixão, então Dan está absolutamente certo em dançar conforme a música do seu "coração". Mas se ele não for isto ou só isto, então há algo mais a entrar no jogo. Se o amor é um ato de vontade antes de tudo, então ele é um compromisso a ser mantido, independente do sentimento.

Ocorre que, o sentimento é arbitrário. Não é à toa que o símbolo por natureza do sentimento humano é a lua, porque esta se modifica constantemente... O sentimento é algo quase "instintivo" no homem, ele nos dá uma primeira avaliação de tudo aquilo que prestamos atenção, que intuímos. Mas ele não é a última avaliação, nem a mais importante. O sentimento é uma das primeiras coisas que o homem "sente", porque é exatamente o sentimento, como faculdade cognitiva, que primeiro nos avisa que há algo que estamos prestando atenção e que nos interessa.

O sentimento, em última instância é preciso ser domado pela razão e pela vontade. Se o sentimento for o máximo que o ser humano pode querer da vida (dando de lambuja que o sentimento da paixão seja o mais importante), então o prazer que o "bom" sentimento desperta acaba sendo o sentido último da vida. Ocorre que o prazer é egoísta por natureza. Não é preciso se preocupar com o outro para sentir prazer. Tanto é assim que é muito mais fácil pagar um(a) prostituto(a) para que lhe dê prazer do que verdadeiramente transar com a pessoa que se ama, porque nesse caso há um compromisso de também satisfazer o prazer do parceiro.

O amor romântico é partidário do hedonismo, sim. E não é preciso ir muito longe para saber que o hedonismo não é resposta que baste para fundamentar o amor. Todo amor começa com um ato de vontade, com uma escolha de amar alguém. O sentimento pode ou não ser aquilo que nos chama a atenção no parceiro, mas não é de modo algum o que fundamenta o amor. É depois dele ou sem ele que o ser humano decide que vai amar outro ser humano e é este ato de vontade que deve ser confirmado e mantido todos os dias.

O que acontece quando aceitamos simplesmente o rumo que nosso sentimento determina ? Acontece que simplesmente não nos governamos. Não somos responsáveis pelo que fazemos. E se somos assim, então não somos mais do que crianças que precisam que alguém seja responsável por nós. O homem não foi feito para ser criança, mas para amadurecer. Insistir no mito do amor romântico é idealizar uma impossibilidade como se fosse um ideal possível. E se é impossível, então o destino de todo "romântico" apaixonado é o sofrimento pela ausência desta impossibilidade.

Repare que, se o sentimento é a medida do amor, se é a paixão um estado inevitável, então ela deve servir de justificativa suficiente para que a pessoa traída entenda o traidor porque ela própria também só pode ter sido "vítima" da paixão. Ou seja, então o traidor jamais é responsável pela traição, pela infidelidade. Se não é ele, mas a paixão inevitável que o faz trair, então não pode ser culpado de nada, certo ? Erradíssimo, como bem disse Alice. Há sempre um momento. Um momento para decidir amar, um momento para recusar a tentação, um momento para ceder a ela. Pouco importa que momento estamos falando, fato é que esses momentos sempre hão de existir e é por eles que se mede a vontade de amar de alguém, não por suas paixonites agudas que sempre terminam em outras paixonites agudas e muita gente sofrendo pelo meio do caminho.

O amor é um ato de vontade que independe do sentimento. No final do filme, quando chega o momento de Alice decidir se continua amando Dan ou não, ela decide que não mais o ama, mesmo com todo mundo sabendo perfeitamente que ela ainda está apaixonada por ele. Mais uma vez, Alice age de modo perfeitamente coerente como quem sabe que amar é uma decisão, um ato de vontade, independente de paixões ou ódios.

Chegamos ao fim do segundo round com o amor romântico caindo pela primeira vez e perdendo feio por pontos. Afinal, além de tudo, uma de suas representantes, Anna, se mostra muito vacilante e propensa a mudar de lado. Mas o amor como ato de vontade, se está ganhando, também está bem machucado.


INTERVALO PARA OS COMERCIAIS

Enquanto isto, lembremos que Alice, quando decidiu amar a Dan, sabia que este traía a sua então namorada. Não pode pois, alegar que não sabia a quem escolhera para amar.

Anna, por sua vez, se nos parece tão frágil e ambígua, quando descobre que Dan está ainda com Alice, resiste num primeiro momento, coisa que não vemos Alice fazendo.

É importante notar que se ante o amor tomo uma postura clara de entendê-lo como um ato de vontade contra a idealização do "amor romântico" que só traz sofrimento ao final, isto não implica dizer que "prefiro" Alice e Larry à Dan e Anna. Justamente porque não acredito em mocinhos e bandidos aqui. Acredito que dois deles sabem perfeitamente o que significa o amor e a seu modo, lutam por ele com todas as armas, mesmo as imorais. Lembre-se que Alice, se sabe amar, sequer foi capaz de dizer seu nome verdadeiro em 4 anos de relacionamento com Dan. Já Larry, vimos antes que nos parece à primeira vista um coitado, que vai atrás de sexo sem olhar com quem. E isto também não é lá das coisas mais dignas de quem sabe o que é o amor.

E os outros dois que restam sofrem porque procuram no amor uma impossibilidade, uma alegria impossível de se manter e que por isto mesmo se torna sofrimento constante. Que Anna acredite que precise sofrer para ser "feliz", explica-se por sua dúvida entre assumir as rédeas de seu sentimento ou deixar-se levar por ele. Dan não tem dúvidas sobre o que é o amor, ele acredita piamente no seu ideal e vai se estabacar ao ponto do ridículo por ele, sendo que ao final, quando se dá sua chance de descobrir que o amor pode ser mais e melhor, ele recusa e volta ao ponto de partida.

Tudo isto ainda veremos com detalhes à frente. Mas serve aqui esta pequena digressão para constatar que os personagens são tão cheio de defeitos, que quando decidimos por quem torcer ali, não nos sobra muitas qualidades para venerarmos. E assim, acabamos nos identificando com quem tenha os nossos defeitos ou nossos ideais. É sintomático que uns prefiram Dan a Larry e outras prefiram Alice a Anna. Este filme diz muito sobre quem a ele se entrega. E ao final deste texto, espero ser mais claro sobre isto.



3º. ROUND

Uma das coisas mais comentadas do filme é o "sincerismo" dos seus personagens. Que eles falam a "verdade". É evidente que não estamos diante de pessoas sinceras, mas de pessoas cínicas ou hipócritas. Quando a sinceridade é usada para machucar o outro, para mostrar em toda sua crueldade o pecado alheio, por mais que você seja a vítima deste pecado, é evidente que você não está sendo virtuoso. A virtude aí está na resignação do ódio, não no refestelar-se na culpa alheia.

Mas há duas formas interessantes de se ver a "verdade" neste filme. Repare-se que quando Larry retorna de sua viagem e conta a Anna que a traiu transando com uma prostituta, ela pergunta porque ele está lhe contando aquilo. Larry responde que a ama e que por isto não poderia mentir a ela.

Mas veja-se a diferença quando Dan descobre que Anna o traiu com Larry. Ele lhe pergunta: "Por que não mentiu para mim ?". Resposta de Anna: "Porque combinamos sempre dizer a verdade um para o outro". Repare com cuidado aqui. Anna não diz que conta a verdade porque ama Dan, como Larry fez com ela.

Esta diferença também é sintomática entre o "amor romântico" e o amor como "ato de vontade". Se a paixão, o sentimento, é o que fundamenta o amor, então dizer a verdade pode doer nesses casos como os do filme. E doer muito. E isto é o inverso do sentimento da paixão. Ou seja, nesse caso, mentir é ser "fiel" ao amor para não "machucar" a paixão que o outro sente. Mas se o amor é um ato de vontade, então o que se busca nele é algo mais do que um sentimento, mas sim uma realização de uma virtude, de um valor superior ao próprio homem. Quando se quer o Bem, a Verdade e o Belo não pode estar contra ele, mas devem andar juntas para bem andar. O ato de vontade de amar alguém implica uma sinceridade de quem ama para consigo mesmo e para com a pessoa amada. A mentira, nesse caso, se aceita, é sinal de que aquele ato de vontade já se arrefeceu, ou seja, já não se ama mais como antes. Portanto, o amor está no fim. Mas se é assim, é hora de pensar no relacionamento, neste ato de vontade, de se perguntar se é isto mesmo que se quer. Se o amor for reafirmado, então a verdade surge como a única alternativa. Se não, então sequer é preciso dela ou da mentira, pois basta o fim, a decisão de não mais amar.

Quem é que lida melhor com a verdade aí ? Quem é que precisa viver na verdade aí ? O "amor romântico" ou o "amor como ato de vontade" ? É claro que é o segundo. Repare-se que, nosso maior representante do "amor romântico", Dan, reage de modo muito diverso quando a verdade se faz presente quando ele está apaixonado e quando não está. Quando ele termina com Alice, ele sabe que a verdade vai doer e diz isto, mas como não é ele quem vai sofrer, ele "prefere" a verdade, para que isto dê uma auréola de bem agir a quem não agiu bem de modo algum. Contudo, quando a verdade se faz presente quando ele está apaixonado, ele não a quer. Nessa cena com Anna, ele diz depois da resposta dela: "O que tem de tão fabuloso na verdade ? Tente mentir pra variar. Este é o costume normal no mundo".

Nada mais precisa ser dito.

Fim do terceiro round e o "amor romântico" mal se aguenta em pé. Caiu mais uma vez e parece que o final é próximo. O "amor como ato de vontade" começa a vencer com facilidade, mas não entende porque a torcida está toda do outro lado...


4º. ROUND

Que Dan e Anna começaram um relacionamento pela paixão que sentiam um pelo outro é coisa evidente a esta altura. Mas como termina um relacionamento de românticos incuráveis ?

Já vimos que a verdade entre eles precisou ser combinada, ela já não era consequência natural da vontade de amar. Isto é já sinal que nem os românticos acreditam neles mesmos. Mas enfim, todo romântico numa certa altura da vida, depois de tantos relacionamentos terminados, é inevitável que se torne um cínico completo e passe a dizer que o amor não "existe", que o que vale é o momento, etc... Não espanta em nada, pois, que o germe deste cinismo esteja no próprio relacionamento de apaixonados, quando das rachaduras de sua construção começam a precisar mascará-las com ajustes como este em que a verdade não existe porque é consequência do amor, mas porque ela precisa ser aceita a fazer parte da paixão. Se fosse inteiramente conscientizado o sentido deste acordo de Dan e Anna, forçosamente eles teriam que perceber que tem algo errado ali.

Quando Dan descobre a traição de Anna, ela lhe pede pra entender as circunstâncias, que seu ato não significou nada, que ela o ama. Repare-se então que, para se aceitar a desculpa de Anna, somente se você entender o amor como um ato de vontade, onde ela através também de um ato de vontade decidiu entregar seu corpo para conseguir um "alvará" para amar a outro. Que isto fosse completamente desnecessário é coisa que podemos analisar depois, mas fato é que Anna agiu como se sua vontade fosse soberana sobre seu sentimento sobre Dan. Ou seja, nesta hora, ela fundamenta seu amor no ato de vontade, não no sentimento. E não pode negar que isto é mais nobre e valioso do que a paixão. Ela já não pode manter sua ambiguidade, é hora de decidir quem se quer amar.

E assim, quando ela volta para Dan, ela precisa saber se o amor dele também pode se dar através de um ato de vontade, muito mais nobre do que a paixão, como ela agora sabe, e se assim for, ele superará o sofrimento para afirmar seu amor por ela. Só que ele não aceita o fato. E diz que está tudo terminado. Por que ? Porque "você já não é mais inocente". Mas inocente do que, cara-pálida, se o próprio relacionamento de vocês começou da mesma forma, com uma traição ? A inocência que Dan fala é a inocência do amor ideal, da "virgem imaculada", do "amor romântico" que para se manter no seu "nível" de paixonite precisa se manter inocente, "livre do contágio" dos erros e dos equívocos humanos. Mas se você acredita que o amor tem que ser assim, "romântico" deste jeito, então é preciso que você não se entregue jamais para o ser amado, que no fundo, mantenha seu "lado negro" escondido para não contaminar o "amor".

Lembremos que quando o pai de Dan morreu, Alice implorou para ir com ele, mas ele não deixou. Suas razões ? Ele disse que queria ficar sozinho para "sofrer" melhor. Sofrimento não combina com amor romântico senão apenas quando ele acaba, para que então esse amor ganhe significado maior a posteriori. Não dividir sofrimento é não dividir sua vida, sua intimidade, é não permitir que o outro enfim, o ame, porque quando se ama de verdade, ama-se a pessoa pelo que ela é, com prós e contras juntos. Querer só alegrias é querer só "meia-vida", e o amor exige-a por inteiro. E por isto Alice lhe perguntava por que ele não a deixava amá-lo. Ele só conseguia dizer "basta", porque entrar nessa discussão era desmascarar por completo o que ele acreditava que era seu amor por ela.

Anna, quando ele diz que ela não é mais inocente, implora para que ele não parasse de amá-la. Que ela percebia o amor se esvaindo dele. Anna tem perfeita noção aqui que o amor é um ato de vontade. O que ela via se esvair era a paixão, o sentimento, que já não estavam lá mesmo pois quando a raiva entra, a paixão se torna ódio e o amor romântico sai pela janela. Ela o via se enchendo de ódio e com isto, assim como ele decidiu não amar, mas se apaixonar, agora fazia o jogo coerente, ou seja, como não sentia mais "amor", estava tudo "acabado". Para passar por cima daquilo, ela sabia que era preciso tomar uma atitude, um ato de vontade. Por isto ela implora de novo: "Se você realmente me amar, você vai me perdoar". Mas o perdão também implica um ato legítimo e sincero de vontade, e portanto, Dan não fazia a menor idéia do que ela estava lhe pedindo. Mas ele percebe que ela quer mudar as regras do jogo do "amor" entre eles. E pergunta: "Você está me testando ?", e ela estava mesmo. Mas ela diz que não, diz que o entende. Porque sabe que para ele a paixão "inocente" era o "amor", como fora para ela até então. Dan não passara no teste. Assim como Anna já não era mais "inocente" para ele.

O "amor romântico" toma uma surra e cai mais uma vez, mas parece que não desiste. Como nessa regra não há limites para "knock downs", continuemos a luta.


5º ROUND

Mas já é hora do embate final: Dan x Larry.

Dan, incapaz de perdoar Anna, a perde novamente para Larry. Contudo, não conseguindo se desapaixonar de Anna, muito menos sabendo onde encontrar Alice para afogar suas dores românticas, ele não vê alternativas senão procurar Larry. Ele vai ao seu consultório e pede (reparem bem, pede... Mais um cúmulo da coitadice...) para ter Anna de volta. Larry diz que ela fez sua escolha. Ou seja, se o amor é um ato de vontade, esta uma vez tomada, deve ser respeitada. Mais adiante na conversa ele diz: "Mas todavia, ela me escolheu e devemos respeitar a decisão de uma mulher".

Contudo, cabe a pergunta: se é para respeitar a decisão, por que Larry não respeitou a decisão de Anna antes, quando ela escolheu Dan ? Porque ele sabia que não era uma decisão, era uma paixão. Aquele diálogo violento em que ele a força a descrever em minúcias seus atos sexuais com Dan é verdadeiramente cruel, mas tinha um propósito. Ele precisava saber se Anna estava apenas apaixonada ou não, se ela realmente preferia Dan a ele. Quando ela lhe dá essa resposta, dizendo que ambos eram iguais mas que Dan era mais gentil, ele encerra a tortura e agradece sua honestidade. Ele sabia que era só um sentimento dela para com ele, e bem fraquinho porque como se verá, a tal gentileza era na verdade fraqueza de caráter. Ou seja, a decisão de Anna ainda estava em jogo e Larry entra nesta guerra com tudo que tem direito e sabendo perfeitamente o que quer e como conquistar. Quando exige uma última transa com Anna, ele sabia o efeito que isto iria causar no incurável romântico Dan. E acertou com perfeição.

Dan implora: "Se você a ama, deixe-a ir embora, para que ela seja feliz". O típico romântico que implora que o seu sentimento seja respeitado, não o dos outros, muito menos a vontade das pessoas. Mas Larry conhece muito bem Anna e sabe que ela não quer ser feliz. Numa explicação perfeita ele diz: "Depressivos não querem (ser feliz). Querem ser depressivos para confirmar que são infelizes. Se fossem felizes, não poderiam ser mais depressivos, e teriam que entrar de sola no mundo, e isso é deprimente". Descobrimos enfim os motivos para a fraqueza de Anna, sua facilidade em se entregar ao primeiro que aparece, sua incapacidade de domar seu sentimento mesmo quando sabe que ele a leva para o erro e para mais sofrimento. Anna tem medo da vida e precisa mesmo de alguém que a conduza, que a cuide. Larry é perfeito para isto, não Dan.

Dan vai discordar do diagnóstico de Anna e rebate que "ela voltou para você porque não suporta vê-lo sofrer. Você não sabe quem ela é. Você a ama como um cachorro ama seu dono". Larry responde: "E o dono ama o cachorro por fazer isto." Dan vai perdendo seus argumentos em defesa do seu amor ideal, um a um. E então apela para seu próprio crime: "Você não ama, você nunca a perdoou". Larry responde: "Claro que a perdoei, sem o perdão nós somos selvagens." Eis a diferença mais uma vez à mostra e desta vez, definitiva. O perdão também é um ato de vontade, antes de mais nada. Senão, não faz sentido, é pura máscara, hipocrisia. O amor romântico é também uma máscara do verdadeiro amor, é o amor hipócrita que acredita que a paixão não é só combustível do amor, mas o próprio "veículo" que o conduz. Mas o combustível volta e meia acaba e é preciso algo mais. Só o veículo permanece o mesmo, com ou sem combustível...

Larry percebe que Dan está desmoronando e avisa que ele estava se afogando. Mas Dan se ridiculariza cada vez mais. Poucas cenas do cinema são tão constrangedoras como esta. Muito pior do que quando Anna é obrigada a falar de detalhes sórdidos de sua vida sexual com Dan para Larry. A humilhação de Dan não é só a humilhação de um homem, é a humilhação de um erro coletivo, de gerações e gerações que desperdiçaram o verdadeiro sentido do amor nesta patacoada do "amor romântico". Simpatizo com Dan ali, fiquei com pena, queria que ele desse a volta por cima, que enfrentasse seu oponente ao menos com dignidade. Mas esta empatia se dá unicamente porque eu não queria perceber que a humilhação dele é também a minha, talvez a sua, caro leitor.

Quando ele diz a Larry: "Você a conheceu por minha causa", a sensação é que voltamos aos tempos de colégio em que argumentos assim eram ditos simplesmente porque não haviam outros a serem ditos e não tínhamos maturidade suficiente para reconhecer o erro ou a derrota e então calarmos ao menos com nossa honra intelectual intacta. Larry simplesmente agradece. Dan se torna mais infantil ainda: "Seu casamento é uma piada". Claro, ele sabe que Anna não está apaixonada por Larry e não admite jamais a hipótese que qualquer relacionamento se fundamente em algo diverso da paixão e do sentimento. E assim Larry prepara o gope mortal que encerrará a luta : "É uma piada das boas. Ela não mandou os papéis do divórcio a um advogado". Dan terá que jogar no terreno de Larry, terá que admitir que um ato de vontade de Anna entrou em jogo. Larry segue no movimento decisivo: "Para um enorme herói romântico como você, eu não duvido que eu pareça uma pessoa banal".

Exatamente, para quem acredita que o amor é um sentimento, uma paixão "perfeita", a "visão" de Larry parece banal mesmo, ridícula, desprovida de sentido. Para quem ainda insista nisto, reconhecer que Larry representa o verdadeiro sentido do amor no filme é muito doído porque fica parecendo que o amor é algo contrário ao sentimento, à paixão, que o homem deve ser "dono" da mulher, que a possessividade evidente de Larry parece ter fundamento. Isto é muito difícil de aceitar. Para eu e você, heróis românticos, Larry é um grosseirão que não entende nada do amor e de mulher. É um machista tarado e possessivo que obriga a mulher a ficar consigo. Por isto quando Dan explode dizendo: "Você é um animal !", concordo de imediato com ele e enfim, vibro: "até que enfim ele reage..."

Mas Larry não se abala: "Ah, é, e o que é você ?". Dan responde que : "Você acha que o amor é simples, que o coração é como um diagrama". Dan tenta explicar com isto que o coração é símbolo do amor romântico, da paixão desmesurada pela musa eterna e perfeita aos olhos do amado. Larry não deixa que a luta fuja do seu campo: "Você já viu um coração ? é como um punho cheio de sangue. Vá se foder, seu escritor. Seu mentiroso !" O amor de Dan é uma mentira mesmo e cair nesse jogo "poético" é pedir para se engabelar em palavras doces, mas vazias (como aliás, Alice ao final vai dizer para Dan exatamente para mostrar que o amor não pode estar nisto...).

Dan ainda vai apelar para sua suposta superioridade sentimental, sua sensibilidade e gentileza, dizendo que Ana odeia as mãos de Larry, do jeitão simplório dele. E então Larry dá o soco final: conta que Anna lhe contou tudo sobre Dan, como ele transa de olhos fechados e como às vezes ele acordava de noite chorando pedindo pela sua mãe. A humilhação é completa. Não só por Larry, mas principalmente por Anna. Aqui Dan não tem mais como negar que Anna, apesar de apaixonada por ele, não o quer mais, tomou realmente uma decisão. Do contrário, jamais teria exposto o amado aos olhos do outro desta forma ridícula. E então, o golpe de misericórdia, que já estamos falando desde o princípio, mas que Dan ainda não tinha ouvido, nem se dado conta. Larry diz: "Você não entende nada sobre o amor, porque você não entende de compromisso".

Nocaute. O amor romântico não levanta mais. É o fim da luta.

Resta a este então, pedir ajuda a quem de direito. A quem possa lhe ensinar o que é o verdadeiro amor. Então Dan chora e Larry o aconselha: volte para Alice, é lá que está quem pode lhe ensinar alguma coisa. O amor romântico ainda tem tempo para se humilhar mais um pouco, saindo do consultório com uma receita para se curar e agradecendo a gentileza de Larry, como se não tivesse sido por este humilhado. Nem a dignidade resta aqui.



DEPOIS DA GUERRA

O filme, como se sabe, não tem final feliz. Se o amor como ato de vontade é o vencedor, ele não o é sem cicatrizes profundas. Os dois representantes terminam o filme de modo diferente. Alice não consegue vencer a fraqueza de Dan e só lhe resta desistir do seu amor. Se o amor é um ato de vontade, está cada vez mais difícil ele encontrar amantes que assim o reconheçam. Quando muito, um deles sabe o que quer e o que faz, mas acaba tendo que fazer o "serviço" do e pelo outro. Alice não consegue e desiste.

Larry por sua vez, não termina o filme com o final feliz que se espera. Se ele consegue ficar com Anna, consegue que ela tome a decisão de ficar com ele, ainda assim sabe que ela está apaixonada por Dan e que sendo volúvel e fraca como é, ele terá que defendê-la dele. Por isto diz a Dan que se ele se aproximar de Anna, ele o mata. Ele sabe que não tem uma decisão firme de vontade de Anna para amá-lo. Mas ao menos há esta possibilidade de um dia Anna efetivamente tomar uma decisão mais firme e mesmo que aprenda a se apaixonar por Larry, como um dia já esteve.

Podemos especular que Larry se dá melhor do que Alice porque é mais maduro do que ela. Na cena da exposição de fotos, Larry diz que prefere Anna a Alice porque aquela é mulher e esta é uma menina. Ele tem razão. Ele não se ilude com a aparente força de vontade de Alice. No fundo, ela precisa de alguém que cuide dela, assim como Anna. Mas ela aparenta ter sofrido demais com o amor e procurou se proteger, e em se protegendo, mais se entregou do que deveria. Se ela sabe que o amor é um ato de vontade, contudo deixou-se levar pelo sentimento quando soube que Dan tinha outra quando se conheceram e que só ficou com ela porque se apaixonou, não porque tomou a decisão de amá-la. Ainda assim tentou se resguardar da paixão, inventando outro nome para si. Se num primeiro momento isto parece uma precaução necessária ante a paixão que a invade, num segundo momento isto se mostra fatal.

Porque como vimos, o verdadeiro amor como ato de vontade não deixa espaço para a mentira interior e para com o ser amado. Contudo, ela percebeu que contar seu verdadeiro nome a Dan depois, seria destruir seu relacionamento. Afinal, ela sabia com quem estava e sabia que ele seria incapaz de perdoar a "perda" da inocência de Alice. Ela sabia que estava numa encruzilhada, mas nem quando eles tem outra oportunidade de começar de novo, Alice acerta. Em vez de começar de novo, eles reatam a mentira de antes, desconsiderando o "intervalo" de separação. O fim triste de Alice também é culpa da própria Alice. Mas ela aparenta terminar o filme com orgulho de si e de suas decisões. Seu futuro não parece muito promissor em contraste com Larry.

Do outro lado, dos derrotados, temos Anna, que como vimos, da ambiguidade entre os dois lados, decide pelo lado vencedor, ainda que não sabendo bem como fazer. Mas ela procura renovar e reafirmar sua decisão constantemente. Não é outra a razão para contar os segredos íntimos de Dan para Larry. E emblemático disto é a cena final dela, como já disse, em que está na cama com o marido e este dorme. Ela lhe tira o livro das mãos, lhe dá um singelo beijo no rosto e apaga as luzes. Que ela fique de olhos abertos e nos deixe com a impressão de que pense em Dan é uma imagem perfeita da diferença entre o "amor romântico" e o "amor como ato de vontade". Porque o amor romântico só se realiza no mundo do pensamento, da imaginação exaltada do romântico, e só nesse mundo pode ter alguma força contra o amor de verdade. Mas na vida concreta e real, Anna beija e demonstra carinho para com Larry, e entre atos e suposições, sempre deve-se ficar com os atos. Anna tem boas chances de amar a Larry e em o amando, amar a si mesma.

Por fim, nosso herói trágico e romântico, Dan. Com a humilhação que sofre por Larry, ele ganha uma chance de se encontrar e reconhecer o verdadeiro valor do amor. Ele tem a receita: procurar Alice. Ele a procura e eles reatam. Estão no quarto de hotel, parecendo um casal perfeito como nos parecia no começo do filme. Mas Dan não tem a coragem necessária. Ele recua e procura algum lugar para encontrar seu "amor romântico". Que na verdade, se dirige a Anna. Mas ele não quer fazer o esforço de Anna para amar alguém que valha realmente a pena, ele procura um atalho. Ele precisa se apaixonar novamente por Alice. Como ? Idealizando-a como fez com Anna. É preciso que Alice seja a inocente pura que Anna não mais é. Mas como ela pode ser isto se ele sabe que ela transou com Larry ?

Então ele usa um subterfúgio. Ele não procura o amor onde ele está, na sua própria força de vontade, mas na "verdade", tão abstrata como falsa. Se Alice não pode ser inocente como Anna, ele ao menos tenta preferir agora a verdade à mentira e obriga Alice a lhe contar a verdade sobre Larry. Quando Dan diz que "sem a verdade, somos animais", ele repete a frase que aprendeu com Larry, trocando o perdão pela verdade.

As frases em si são perfeitamente corretas. Mas que diferença quando quem as diz não sabe do que fala. Larry efetivamente perdoou Anna, senão jamais voltaria com ela. Mas Dan, ainda incapaz de perdoar, muito menos entende o verdadeiro lugar da verdade. O que ele queria saber não mudaria nada, ele sabe que Alice não o traíra, que aquilo não poderia jamais manchar a idealização de Alice. Mas ele é incapaz de reconhecer a verdade dentro dele, de que precisava perdoar, não só Alice, mas a si mesmo. Ele não tem coragem de se encarar e se conhecer. Mas ele está numa sinuca de bico, não consegue ir adiante sem resolver por completo o passado. Precisa então saber se realmente Alice tinha ou não ficado com Larry. Isto não mudaria nada e assim que ele sabe a "verdade", ele percebe que nada mudou mesmo. Mas aí já era tarde demais. Alice já desistira dele. E então o sensível herói romântico é o único personagem no filme capaz de agredir fisicamente a mulher. O grosseirão Larry, por mais motivos que tivesse, assim não o fez.

Interessante notar que os casais não poderiam ser diferentes. Se Dan e Anna ficassem juntos, mesmo que acreditemos que devem ficar juntos aqueles que estão apaixonados loucamente, não temos dúvida que o relacionamento não iria durar. Que outras Annas e Dans apareceriam e que o sentimento da paixão estaria tão suscetível à novidade como sempre esteve. Eles seriam apenas mais um casal que poderia ter sido e não foi. Não, eles teriam mais sorte com outras pessoas. Anna com Larry, e ela tem boas chances de ser feliz de verdade. Dan com Alice, mas este jogou tudo pela janela. Que tenha mais juízo da próxima vez, assim como Alice.

Mas igualmente não podemos acreditar que Larry e Alice seriam um casal melhor. Ambos se reconhecem porque sabem que ambos amam de verdade, não de modo infantil como Anna e Dan. Seria natural então que decidissem amar um ao outro. Afinal, o amor não seria mais do que um ato de vontade, independente da paixão. Mas ocorre que este ato já havia sido tomado. Um para com Anna, outra para com Dan. Eles sabiam que já tinham decidido por outros e que jamais poderiam escolher um ao outro porque fazer isto era se entregar à irrealidade do sentimento como Anna e Dan fizeram. Quando Anna quer voltar, Larry volta imediatamente. Quando Dan quer voltar, Alice larga tudo para ficar com ele. Esta foi a decisão de ambos desde o primeiro momento. Certa ou errada, entramos aí no terreno da falibilidade humana. Não é porque sabiam o que é o amor que isto significa que acertam na escolha de quem amar.


NA SAÍDA DO CINEMA

A luta terminou, entre mortos e feridos, restam estes. Nós com eles. Ainda que eu possa sair deste filme com a verdade do que é o amor, não há como negar uma certa tristeza nisto tudo. Não só a tristeza natural de descobrir que se errou muito já nesta vida em relação ao amor. Mas a tristeza de que tem alguma coisa de errado "no mundo". Clive Owen, o ator que interpreta Larry, disse sobre o filme que: "o filme captura como as pessoas estão se comportando hoje, e é por isto que chama tanto atenção". Ele tem razão. Mas as pessoas estão se comportando muito mal então, não acha ?

E justamente por isto eu disse que esse era um filme para ser esquecido. Felizmente para quem o compreendeu, infelizmente para quem não o compreendeu. Por que ?

O maior erro em relação a esse filme é menosprezá-lo. E isto o próprio escritor Patrick Marble acaba fazendo quando disse que: "Mas no final, é só uma história de amor, e como muitas delas, as coisas dão errado..." Não, não é só uma história de amor. É a história de como o amor anda ausente ultimamente e como andamos nos machucando uns aos outros pelo egoísmo das nossas paixões, que por mais arrebetadoras que sejam, jamais podem ser confundidas com o verdadeiro amor. A verdade que está presente no filme, escondida por detrás de nossas preferências pelos personagens é exatamente que o amor não está ali como deve estar, e só no final, aparentemente ele parece estar, com Larry e Anna. Mas o caminho é longo e difícil. E no final, fica só a esperança que o amor possa verdadeiramente florescer e dar frutos.

A tristeza do filme é que mesmo que você saiba como deveria ser o amor, isto não lhe garante em absoluto, algum "sucesso" na sua vida amorosa. Como bem Alice prova. E por isto quem aprende com o filme vai querer esquecê-lo, porque a partir do momento em que se sabe que o amor é um ato de vontade, vai se querer viver amores assim e consequentemente assistir filmes que o retratem de modo que este sentido esteja presente de modo pleno, e não lutando desesperadamente para se manter como mera possibilidade. Vai querer enxergar o verdadeiro amor onde este há de verdadeiramente estar, não na sua fantasia idealizada. (Aliás, para quem queira assistir um filme perfeito ao mostrar o verdadeiro amor, sugiro "A Viúva de Saint Pierre", com Juliette Binoche)

Por isto que, para quem saiba que o amor começa e se mantém por um ato de vontade, pouco importa, como Larry diz a Anna, que digam "que eu sou bom demais para você. Eu sou, mas não diga isto." Porque realmente isto não resolve nada. Saber que o amor se inicia e se perpetua por um ato de vontade, de modo algum torna o que sabe disto mais "feliz" do que o que não sabe, porque para ele o que só interessa é exatamente que o outro tome a mesma atitude, tenha a mesma vontade. Quando se sabe o que realmente é o amor, de nada adianta saber que se sabe amar, o que se quer e precisa é verdadeiramente encontrar alguém que faça o mesmo esforço, que se comprometa no mesmo nível.

Só aí o amor pode realmente vir a ser o que deve ser e dar ao homem uma transcendência que sozinho ele não alcançaria. Como disse Viktor Frankl, "para o amante, o amor transfigura o mundo, o dota de valor adicional. O amor aumenta e afina naquele que ama a ressonância humana para a plenitude dos valores. Abre ao espírito o mundo em sua plenitude de valor, à totalidade dos valores. Deste modo, por sua entrega ao "tu", o "eu", aquele que ama, adquire uma riqueza interior que transcende o "tu", o ser amado: o cosmos inteiro ganha, para ele, em extensão e profundidade de valor, resplandecendo debaixo da luz brilhante daqueles valores que só o que ama acerta em ver. Pois o amor não torna o homem cego, como às vezes se pensa, senão que, pelo contrário, lhe abre os olhos e lhe aguça a visão para perceber o mundo dos valores".

Frankl, citando V. Hattingen, resume o que quis dizer: "O amor vê ao homem tal e qual Deus o pensou".

Mas essas possibilidades que o verdadeiro amor nos abre estão bem longe deste filme, sequer um vislumbre disto temos aqui. E aqui poderia se alegar que o filme tem sua maior falha nessa ausência. Porque ele poderia perfeitamente nos dar vislumbres disto. Um filme que retrata com perfeição não só a luta desses "tipos" de amor, mas mostra claramente quem deve vencer sempre, é porque seus autores tem perfeita consciência do que seja o verdadeiro amor. E se o sabem, por que não mostram mais do que só o verdadeiro amor é capaz ? Por que parar no requisito básico para se amar, que é ter um ato de vontade para tanto ? Por que não mostrar um mínimo de consequências entre o casal que toma este ato de vontade um para com o outro ? Por que ficar só na esperança que ele dê certo ?

As razões para tanto, se estou certo, tornam o que poderia ser visto como falha do filme, um outro mérito seu. Porque a arte, seja qual for, também é um espelho da vida. O seu reflexo permite que alarguemos nosso campo de experiências possíveis da nossa própria vida. Contudo, é claro que por vezes a arte pode ser mais do que mero reflexo da vida existencial, e pode ser reflexo de algo superior à própria vida, refletir valores transcendentes que a arte nos dá em vislumbre, derrubando por momentos o véu da nossa condição existencial limitada para saciarmos um pouco da sede do Espírito. Quem lê Shakespeare sabe que ele fala de algo mais do que um simples reflexo da vida humana, da sua época. O filme que estamos tratando, nesse sentido, ao contrário das obras de Shakespeare, para ficarmos no exemplo, é filho do seu tempo, reflexo de uma época, de uma geração. Não nos abre ele nenhuma transcendência porque vivemos numa época que sequer sabe que há algo transcendente a ela mesma. Não poderia, portanto, neste estrito sentido, o filme refletir o que não está para ser refletido mesmo.

E por que digo que isto possa ser um mérito seu ? Porque embora ele não possa, porque não consegue, nos abrir a uma transcendência, ele respeita um princípio básico da arte: não se fechar em conclusões. Essas devem se dar no espectador da obra, é este quem tem que buscar, entender o filme. Esta é a possibilidade didática que toda obra de arte nos dá, para além do mero entretenimento (no caso do cinema). O filme termina claramente mostrando a vitória de um "tipo" de amor, mas de modo algum o coloca, como bem disse o escritor do mesmo, como mocinho da história. Se há vitória é em virtude dos fatos da história, mas de modo algum há um julgamento de valor explícito em prol de um ou outro dos "tipos" de amor. Foi dado em reflexo o que vivemos na realidade. E o reflexo é feio, seja você "adepto" de um amor ou outro. Não há conclusões no filme porque essas são responsabilidade de cada espectador que queira alguma conclusão.

Eu tiro as minhas.

Alice, quando na exposição de fotos de Anna, responde a Larry o que ela entende sobre aquela arte ali exposta:

"É uma mentira. Um monte de estranhos tristes fotografados de modo lindo, e todos os cuzões brilhantes que dizem que apreciam arte dizem que é bonito porque é o que querem ver. Mas as pessoas nas fotos estão tristes e sozinhas. Mas as fotos fazem o mundo parecer bonito, então a exibição é confortadora, o que a torna uma mentira. E todos adoram uma grande mentira."

Esta fala de Alice, aplicada ao filme, só pode se referir ao amor romântico. Ele é uma mentira que as canções pop e as comédias românticas nos contam como se fosse algo bonito e por isto, nos confortam das dores românticas. Mas não deixa de ser o amor romântico uma mentira por mais que o embelezemos. O grande segredo desta fala é a ênfase de que é exatamente essa mentira bonita que queremos ver no cinema. Todos adoram essa grande mentira. Por isto a "prudência" ao falar sobre isto. Veja, o filme não embeleza o amor romântico. Ele termina "dando errado" como sempre deu e sempre vai dar. Por isto, o filme não pretende confortar quem já tenha sofrido por esse amor. Quer mais é que não tenha como negar que beleza alguma há nisto tudo. Que no final, esse amor romântico só deixa pessoas sozinhas e tristes mesmos. Só se você quiser entender essa tristeza que o filme deixa ao final, esse estranhamento, é que você perceberá que há uma porta aberta ali para o verdadeiro amor, através dos atos de vontade de quase todos os personagens.

Você pode discordar desta conclusão, mas não pode deixar de olhar para o seu lado. Quantas pessoas conhecidas suas, ou você mesmo, não andam como nômades à procura de um "grande amor", pulando de relacionamento em relacionamento ? Cada vez mais cheios de inícios "maravilhosos" e fins abruptos e cada vez mais rápidos antes de qualquer "meio" ? Não digo que você deve se agarrar à primeira coisa que passa, como fizeram Larry e Alice. Mas sim que deve antes de tudo entender o que é realmente o amor para então querer amar e ser amado.

O filme, nesta ótica, se recusa a embelezar esta mentira. Ele reflete uma realidade muito verdadeira da atualidade. E não resta dúvidas que no fim das contas, se não se entender o que é que incomodou no filme, aí sim é que este vai se tornar uma mentira, onde a exibição estética do sofrimento alheio supostamente não nos diz respeito. E porque não nos diz respeito, nos conforta. Mas o sofrimento do filme é que é uma mentira, o seu é muito, mas muito verdadeiro. E como o amor é um ato de vontade, não vai deixar de ser uma escolha a decisão de ficar à procura eterna do príncipe ou da princesa encantada.

Mas ainda assim, não se esqueça. Na vida real, todo príncipe e princesa é sempre um sapo. E só o verdadeiro amor pode transformar você, que também é sapo, um dia quem sabe, no rei ou na rainha da vida de alguém.

17 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Grande Chico,
Nao sei se vc chegou a ler minhas pobres e breves impressões sobre o filme.
Mas, independente disso, só me resta aplaudir.
Bravo, bravíssimo.
Cristian.

11/3/05 00:11  
Blogger Francisco Escorsim said...

Valeu, Cris.

Li sim e me serviu de inspiração. Não tinham nada de pobres. Eu tinha, por coincidência, visto naquele dia o filme e fiquei com as mesmas impressões que você.

Um abraço.

11/3/05 14:15  
Blogger Mercuccio said...

Excelente resenha, amigo.

12/3/05 00:02  
Blogger Francisco Escorsim said...

Obrigado, Mercuccio.

E muito agradecido pelo link no seu blog. Eu não poderia ser citado em melhor companhia.

12/3/05 15:17  
Blogger Igor said...

Excelente texto cara!! Vai me custar um final de semana inteiro de reflexão, mas o tempo está fechado mesmo e eu nao já nao ia fazer nada.

Parabéns

12/3/05 17:37  
Blogger Francisco Escorsim said...

Obrigado, Igor. Bom proveito na reflexão.

13/3/05 17:44  
Blogger Amargo Channing said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

14/3/05 16:11  
Anonymous Jules said...

Ótimo, mesmo. Você viu exatamente as coisas que eu apenas tinha vislumbrado, no filme - reparei que há vários elementos antagônicos ou complementares que se repetem, mas não tinha preenchido os detalhes tão bem quanto você. E agora dá para entender claramente porque o personagem do Jude Law parece ser mais "humano" à maioria dos homens com quem conversei, enquanto que o personagem do Clive Owen parece ( apesar de tudo) mais agradável às mulheres - ele representa o triunfo da vontade sobre o desejo masculino, enquanto que o Daniel não consegue dominar seus enlevos românticos. Natural que o primeiro pareça mais "homem" (em oposição a moleque) do que o segundo.

E vida longa ao cinema elegante. Adorei. ;)

14/3/05 16:21  
Blogger Francisco Escorsim said...

Peço desculpas ao "Amargo Channing" pelo "apagão" do seu comentário acima. Recebi-o por e-mail, mas quando vim aqui ao site conferir, o mesmo não apareceu e ainda me dizem que eu quem deletei. Não sei qual é o problema desses comentários, mas serviço grátis tem dessas coisas. De qualquer modo, consegui gravá-lo e colo aqui abaixo. Novamente, minhas desculpas, Amargo.

"Ei, fantástico, mesmo. Muito do que você fala eu percebi - mas não de um jeito tão claro; não à toa há tantos "espelhos" na história, elementos que se repetem aqui e acolá e são complementares ou antagônicos. Muito bom. Queremos mais dessas. ;) Um abraço,"

14/3/05 17:11  
Blogger Francisco Escorsim said...

Jules e Amargo, obrigado pelas gentis palavras.

É interessante notar também que o personagem que mais se olha no espelho é o de Jude Law. Ele é mais feminino do que as mulheres do filme. E chora mais também.

E Jules, você tem razão. É impressionante a quantidade de homens que se identificaram com o Daniel. É o resultado de tantas décadas de "castração" do "macho heterossexual": ninguém quer a responsabilidade de ser Homem.

Obrigado novamente. Também espero que esse blog tenha vida longa.

14/3/05 17:15  
Anonymous John said...

Análise fantástica, Francisco!

Quando assisti o filme mal consegui interpretá-lo, acho que ainda sou muito novo para conhecer os vários "tipos" de amor e poder compará-los. Seu post realmente abriu a minha mente.

Meus parabéns, de um cinéfilo iniciante.

15/3/05 21:13  
Blogger Francisco Escorsim said...

Obrigado, John.

18/3/05 17:44  
Anonymous Juliana said...

E Jane? Pq ela adotou o nome de uma mulher falecida, Alice Ayres, que "morreu ao salvar três crianças de um incêndio"? Jane se julgava um anjo, que salvaria os três personagens do filme? Salvaria do quê? De suas ilusões, do mito do amor romântico? O incêndio do filme é a paixão? Mas, pq seria Jane-Alice a salvadora, e não os atos de vontade, de Larry, e Anna? Abraços...

17/12/05 18:19  
Anonymous Ana Flávia said...

Fantástico o filme e mais fantástico ainda sua explanação sobre este. Assisti o filme em minha casa, sábado à noite. Fiquei om o filme na cabeça e ontem resolvi procurar algo sobre ele na internet...agora compreendo tudo, não apenas o filme, mas a origem do sofrimento nos relacionamentos atuais...
Fantástico, preciso, imensurável, inigualavelmente lógico!
Estou entorpecida!!!

4/4/06 16:30  
Blogger Francisco Escorsim said...

Juliana, não creio que Jane/Alice se considerasse um anjo ou salvadora de ninguém. Repare que ela só decide adotar outro nome, depois de perguntar a Dan se ele tinha namorada... Ou seja, foi uma tentativa de se resguardar. Me parece que a questão do incêndio, da Alice verdadeira ter morrido ao tentar salvar alguém, serve mais como metáfora do filme, para mostrar a própria condição amorosa de hoje em dia, que dificilmente se realiza, morrendo antes pelos incêndios constantes da paixão. Teria mais a dizer, mas não tenho mais espaço. Talvez eu adicione algumas considerações sobre isto mais tarde.

Ana Flávia, só posso lhe agradecer. Muito obrigado.

4/4/06 18:12  
Anonymous Anônimo said...

Isso ate pode virar um livro de auto-ajuda.

27/7/08 15:55  
Anonymous Bi said...

Sua interpretação do filme prendeu mais minha atenção do que o próprio filme, incrível...

7/8/13 23:40  

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