sexta-feira, abril 15, 2005

Lost In Translation



“Que posso eu fazer, a meu turno,
por essas boas pessoas entediadas?”

(Pozzo, personagem de “Esperando Godot”,
de Samuel Beckett)

Certos filmes nos deixam intrigados. Alguns, porque simplesmente não os compreendemos e isto é de algum modo, inaceitável. Ou seja, precisamos mortalmente compreender o que é que, afinal de contas, aquele filme quis dizer. Outros filmes, contudo, intrigam mais pela recepção que tiveram da crítica e do público, do que propriamente pelo que tinham a dizer.

"Lost In Translation" (Encontros e Desencontros), creio eu, se enquadra nessas duas categorias. Ele tanto me deixou intrigado, depois de asisti-lo, querendo entender melhor que diabos de mensagem aquela história estava passando; como mais ainda fiquei, quando lembrei que o filme havia ganho vários prêmios, dentre eles, um Oscar, sendo que a quase totalidade da crítica o tratara como uma rara preciosidade.

E assim, eis que este filme se tornou para mim, um enigma a ser decifrado.

I – FROM NOWHERE TO NOWHERE:

A história é simples, conforme nos diz a própria escritora e diretora Sofia Coppola, ao falar sobre o personagem de Bill Murray, em entrevista constante do site official do filme: “…and he's having a midlife crisis in Japan - where it's already so confusing. In the film, Charlotte is having that early 20s, "what do I do with my life" crisis. She and Bob are two people at opposite ends of something comparable; she's just going into a marriage and he's on the other hand, having been in one for years. There is camaraderie between them at the moment in time that they're at. It's two characters going through a similar personal crisis, exacerbated by being in a foreign place. Trying to figure out your life in the midst of all of that…”

Bill Murray, interpretando brilhantemente Bob Harris, um ator americano de grande sucesso, mas em franco declínio, conseguiu dar ao personagem uma impassibilidade fria, tanto no olhar, como na simples presença, que ele pouco precisou dizer, para que soubéssemos perfeitamente o que se passava com ele: a tal da midlife crisis. Charlotte (Scarlet Johanson), por sua vez, acompanhava seu marido, com quem tinha recém casado, numa viagem ao Japão, em que ele fora a trabalho. Durante o filme, vemos que ele praticamente não dava atenção alguma à esposa, e que também por isto, Charlotte vivia num tédio atroz, sem ter o que fazer. Aos poucos, ela foi percebendo que sua vida não tinha sentido. Contudo, diferente de Bob, ela tinha todo um futuro pela frente. Ou seja, não se tratava de reavaliar quem se foi, mas sim de se saber quem se é ou se quer ser. Por isto, sua frase emblemática no filme é: "I just don’t know what I supposed to be!"

Eles nem precisavam estar hospedados no mesmo hotel, como estavam, para sabermos de antemão, que não só acabariam se encontrando, como reconheceriam um no outro, o tédio e vazio das próprias vidas. E é aqui que o filme verdadeiramente começará. E parece óbvio que o interesse do espectador diante da história, se dirige exatamente para aquela última frase de Sofia, acima citada. Ou seja, conseguirão os personagens reencontrarem-se consigo mesmos, ao final do filme, saindo daquela situação de crise que os deixava perdidos nas suas vidas ? Vejamos a resposta dada pelo filme.

Bob e Charlotte passam o filme inteiro apenas se divertindo, indo de bar em bar, de boate em boate. Enfim, curtindo o momento. Ou seja, na diversão comungada, tentavam afastar-se do tédio e vazio que lhes era ainda mais comum. Evidentemente, nesse meio tempo, também se apaixonaram. E se apenas isto já seria um bom motivo para pararem um pouco e pensarem nas suas vidas, isto é exatamente o que não fizeram durante o filme todo. E ainda que alguém queira defender que seus poucos diálogos travados no filme, demonstram que estavam avaliando suas vidas, ainda assim não poderá negar, que nenhum deles teve coragem para mudar nada do que supostamente enxergavam de errado.

Afinal, Bob, embora por vezes parecesse perceber o que realmente queria para si mesmo, jamais tomava qualquer atitude mais concreta, seja em que direção fosse. Quando ligou para a mulher, não teve coragem de dizer o que queria. Quando deitado na mesma cama com Charlotte, não arriscou mais do que um roçar de dedos do pé. E Charlotte não era diferente. Cada vez mais tinha certeza da besteira que fizera, ao casar com seu marido. Assim como não podia mais negar que havia se apaixonado por Bob. Mas também não tomou qualquer atitude mais concreta em favor de si mesma.

Por isto, quando chega o final do filme, eles evidentemente terminam do mesmo modo como começaram, tão perdidos quanto. E pelo menos Charlotte, termina pior ainda, pois encerra o filme chorando pelo centro de Tóquio. Chorando por Bob não ter ficado, chorando pela certeza que seu casamento era uma piada. Ou seja, chorava por uma vida que não existia, fosse ela vislumbrada ao lado de Bob ou ao lado do marido.

No mesmo instante, por sua vez, enquanto estava no taxi que o levava ao aeroporto, Bob percebeu que alguma coisa estava errada. Percebeu que não poderia simplesmente partir, sem mais nem menos. Que algo estava sendo exigido dele, naquela situação. Uma exigência feita por sua própria vida. Só que é evidente que ele não perceberia a seriedade do que se lhe exigia, no exíguo tempo de que dispunha. Ele apenas sentiu que tinha que fazer algo, sem atinar que este algo era, exatamente, ter antes parado para pensar na sua vida e avaliado o que é que ele realmente queria. E aí, pouco importava se fosse redescobrir o valor que sua família um dia teve ou fosse para jogar tudo para o ar, pela paixão que sentia por Charlotte. Tanto faz, porque o que interessava era que ele agisse como um sujeito maduro, como era apenas na idade, tomando decisões racionais e não com base no “momento”, como se ainda fosse um adolescente com anos de vida pela frente.

Foi quando então, para sua sorte e azar, viu Charlotte andando pela cidade. Sorte, porque correu ao seu encontro e pôde, ao menos, dizer adeus, e com isto, acertar as coisas com ela. Mas muito mais azar, porque assim, acabou mascarando a verdade. Ou seja, o vemos ao final, com aquele ar de satisfação, como se tivesse resolvido todos os seus problemas, quando na verdade, esses permaneciam onde sempre estiveram... Por isto, fica claro no filme, que nem Charlotte, nem Bob, encontraram uma saída para o vazio e o tédio de suas vidas. E pelo menos Charlotte, claramente se perdeu um pouco mais neste beco sem aparente saída.

E por isto eu fiquei absolutamente intrigado ao final do filme. Afinal, se como disse Sofia, os personagens estavam tentando se encontrar consigo mesmos, então de duas, uma: ou o filme deliberadamente escolheu que eles falhariam nesta tentativa; ou então, o filme não estava nem um pouco interessado nisto. Podemos ter certeza de qual foi a opção escolhida ?



II – IT’S JUST ABOUT A MOMENT:

Não precisamos ir muito longe para encontrarmos a resposta para esta pergunta. Na mesma entrevista, Sofia nos diz: “It's about moments in life that are great but don't last. They don't go on, but you always have the memory and they have an effect on you.”

Ou seja, aquele interesse óbvio do espectador, a que me referi acima, não é de modo algum, o interesse do filme. Ou seja, não interessou ao filme, o destino final dos seus personagens. O filme não quis dar respostas sobre se eles se encontrariam consigo mesmos, ao final do que viveram, se iriam superar a crise pela qual passavam. Porque a história que se contou não foi a deles, a de suas vidas, mas sim apenas daqueles “great moments” vividos em comum. Ou seja, para o filme, o “antes” e o “depois” daqueles momentos, são meros detalhes necessários para que estes possam ter existido. Nada mais.

Então chegamos a uma primeira conclusão: é evidente que, se o filme preferiu dar mais valor àqueles momentos passageiros, então é porque algo de muito valioso houve neles, para terem tornado até mesmo o destino dos personagens, supérfluo. Mas e o que é que houve de tão bom assim ? Charlotte é quem nos responde: "let’s never come here again, because it will never be as much fun".

Fun… O prazer obtido daqueles momentos, foi a única coisa que deu cor e sentido, a um contínuo de dias acinzentados e sem propósito, da vida de ambos. Mas só o prazer ? Tudo o que tornou aqueles momentos supostamente tão inesquecíveis, foi apenas o prazer que eles proporcionaram ? Desculpem meu espanto, mas isto é uma bobagem tamanha, reveladora de uma imaturidade tão gritante, que nem Ferris Bueller, acredito eu, aceitaria que isto fosse suficiente.

E me desculpem novamente, mas não irei aqui filosofar acerca do prazer e das razões pelas quais ele não dá sentido à vida, seja pela sua presença constante, seja pela sua ausência absoluta, seja pelo impacto da recordação, de momentos de prazer um dia vividos. Primeiro porque não é o momento, nem o lugar. Segundo, porque se isto não é de evidência imediata, não será com argumentos lógicos e racionais, num primeiro momento, que alguém seria convencido do contrário. Até porque, momentos como os vividos pelos personagens, só podem ser sobrevalorizados desta maneira, quando se recusa pensar sobre eles e decide-se apenas ficar com a lembrança do “impacto” proporcionado. Ou seja, não é racionalmente que o prazer se torna algo maior do que é, mas sim exatamente pelo oposto, pela recusa a raciocinar sobre aquilo que lhe acontece na vida. No caso, algo de prazeroso. Assim sendo, a quem discordar de mim, deixo-o com apenas duas coisas: 1) o impacto da minha afirmação, acerca da imaturidade de quem se vale do prazer, para dar sentido à vida; e 2) um convite para parar e pensar sobre isto.

Mas voltando ao filme, é difícil acreditar que ele seja tão imaturo assim, quando exatamente a suposta maturidade dele, foi uma das coisas mais louvadas por diversos críticos. Mas esta maturidade que tantos enxergaram, diz respeito, na verdade, apenas à constatação de que esses momentos de prazer tem um fim, como disse Sofia acertadamente. Só que constatar isto, não torna ninguém maduro, mas apenas o deixa às portas da maturidade. E quando vemos que o filme acabou dando mais valor aos momentos de prazer vividos pelos personagens, do que ao destino e o sentido de suas vidas, então é porque este filme abriu a porta, para fechá-la em seguida.

E pior, no final das contas, exatamente por ter feito a escolha que fez, ele não só deu mais valor a esses momentos, como acaba com isto, afirmando que não haveria mais nada, além deles, que se possa querer e buscar na vida. Por que digo isto ? Agora é a vez de Bob nos responder, cantando Roxy Music: “More Than this, there is nothing...” Lendo sobre o filme, soube que esta canção foi a única, daquelas cantadas no Karaokê, que não foi escolhida de antemão, mas decidida minutos antes da filmagem, através de uma conversa entre Sofia e Bill Murray.

Contudo, involuntariamente ou não, ela se tornou a mensagem que o filme acaba passando. Ou seja, mais do que aquele momento, aquele fugaz momento de um encontro desencontrado e sem futuro, mas divertido, não poderíamos querer mais nada da vida. E por isto, o melhor desta, só pode mesmo ser “like a dream in the night”. Consequentemente, não haveria razão alguma em querer saber dos destinos dos personagens, daí a falta de interesse do filme neles, porque: “who can say where we´re going?”.

Por isto me fica a impressão que “Lost...”, na verdade, é resultado de uma revolta frustrada. De uma revolta contra o sofrimento da vida, contra a necessidade de um sentido para ela. E porque há esta frustração, fez-se uma espécie de acordo com a própria vaidade, fingindo-se que o problema não é de cada um consigo mesmo, para se afirmar que a vida seria esse sofrimento sem sentido, e que por isto mesmo, tanto faz se acabamos nos encontrando conosco mesmos ou não, no final das contas. Ou seja, apenas momentos como os mostrados no filme, é que seriam as pérolas escondidas nessa ostra oca, que seria a vida em si mesma. E more than this, there is nothing...

Portanto, a conclusão é inescapável: o filme acaba passando uma mensagem de conformismo e desesperança, diante do vazio de sentido da vida humana, nos dias de hoje. Conformismo, porque ao dar mais valor a estes supostos “great moments”, em vez de se preocupar com a vida e o destino dos seus personagens, acabou por afirmar que, nesses momentos de crise na vida, nos resta conformar-nos com o que temos e aproveitar alguns dos bons momentos, que possam vir a nos acontecer. E em razão disto, acaba também sendo um filme desesperançado. Porque como disse Sofia, mesmo que nos aconteçam esses bons momentos, eles não duram.

III – EVERYBODY’S LOST:

Não acredito que alguém tenha dúvidas quanto à empolgada recepção obtida pelo filme. Mas se tiver, basta acessar esses sites da internet que fazem um apanhado de quase todas as críticas recebidas por um filme. Por exemplo, no site Metacritics, “Lost...” recebeu a nota 8,9, o que o coloca, na lista do site, entre os 50 melhores filmes de todos os tempos... Se isto não basta, relembremos então da maior premiação do cinema: o Oscar. “Lost...” levou o prêmio de “Best Writing (Original Screenplay)”, em 2004. Se isto não é sintomático do quão deslumbrados ficamos com este filme, então não sei o que mais seria.

Mas, como visto acima, a explicação para um filme desses ser tratado como sendo esta maravilha toda, não encontra explicação nele mesmo. Ou seja, se estamos dando valor a filmes como este, que além de nada dizerem de mais sério sobre a vida humana, ainda servem muito mais como propaganda da inconsciência e vazio de sentido desta, então é porque estamos muito mais perdidos do que Bob e Charlotte. E é aqui que o cinema pode ser maravilhoso, mesmo quando o filme não presta. Porque o cinema, como arte narrativa, também é um reflexo da vida humana, numa dada época. Ou seja, ele mostra não só como os personagens fazem suas escolhas de vida, mas também em que condições e em que cenário essas escolhas se dão. E em “Lost...”, o cenário e as condições são as mesmas que vivemos hoje em dia, nesse início de século XXI. E portanto, esses personagens são também um retrato do ser humano deste mesmo período.

Só que - e é isto o que interessa aqui -, pior do que estarmos aparecendo tão feios na foto, é o fato de que sequer temos consciência da nossa evidente feiúra. Porque é exatamente em face desta inconsciência perante nós mesmos, nossas vidas, que chegamos a este ponto de, ainda que involuntariamente, darmos mais valor a momentos de diversão evidentemente passageiros, do que ao destino das próprias pessoas que os vivem. E esta inversão total de valores, que leva, no fim das contas, à perda do sentido da vida humana, encontra em “Lost...”, um verdadeiro emblema. E aqui chegamos ao ponto chave deste enigma: como podemos estar tão inconscientes assim ? Mas exatamente por tal inconsciência, esta resposta não é fácil de ser dada, muito menos compreendida. Por isto, por enquanto, é preciso se contentar com uma imagem analógica. E nenhuma outra me parece tão próxima aqui, do que o vício das drogas.

É sabido que a dependência do uso de drogas, possui graus. No princípio do vício, ainda é possível ter consciência que certas atitudes tomadas em razão dele, são insensatas. E portanto, por mais que elas sejam tomadas, porque não se pode ficar sem mais do mesmo, ainda resta uma mínima noção de que há algo de errado. Nossa inconsciência estaria num estágio semelhante a este ? Me parece que não. Assim, é preciso descer um pouco mais neste inferno. E aos poucos, nessa descida, aquela débil noção também se perde. Ou seja, a insensatez de certas atitudes tomadas em razão do vício, que antes ainda era possível de ser vislumbrada, já não é mais sequer percebida. Logo, a mais rematada imbecilidade parecerá, ao contrário, a coisa mais sensata, normal e bela do mundo. E assim, chega-se ao ponto mais baixo da existência, onde completa-se a inversão dos valores, pelos quais uma vida seria digna de ser vivida, tornando a busca incessante pela inconsciência proporcionada pelo uso das drogas, sua única razão de ser e existir.

Mauriac sintetiza bem isto, quando certa feita disse: "é a derradeira enfermidade a que o homem pode chegar: quando sua sujeira o deslumbra como a um diamante". Eis o estágio de total inconsciência. Seria este o ponto, que infelizmente acredito que nos encontramos, que explicaria não só a recepção dada ao filme, como a própria realização deste. Sim, também a realização dele. Somente por estarmos neste avançado estágio de inconsciência, que um filme desses pode ser feito “impunemente”. Só por esta inconsciência, pode-se explicar a própria cegueira do filme, que sequer desconfia do absurdo em preferir os momentos de prazer vividos por seus personagens, mais do que a eles próprios. Só por ela, se explica ele ter ido ainda mais longe neste absurdo, não só sem enxergar qualquer problema nos valores que acabou por defender com sua escolha, como inclusive dizendo que “more than this, there is nothing”...

E exatamente por esta mesma inconsciência comungada com o filme, é que nós só podemos gostar de uma bobagem como esta. Ou seja, não gostamos dele porque é bom, mas sim porque estamos tão cegos quanto, para enxergar seu evidente absurdo. E só porque esta inconsciência é tamanha e tão alastrada, aqueles que conseguiram desgostar do filme, tem uma dificuldade tremenda para explicar suas razões. Salvo aqueles que desgostaram, por acreditarem que o filme é “racista” contra japoneses (o que inexiste no filme). Estes, incluo entre aqueles que gostaram do filme. E quanto àqueles, é compreensível porque não conseguiram explicar o que os incomodou. É a mesma dificuldade que eu tenho. Porque desgostar de “Lost...”, é também desgostar um pouco de si mesmo. É reconhecer que, àquela pergunta que Bob fez à Charlotte, logo no começo do filme, "I'm trying to organize a prison break, are you in or out?", já se tinha respondido, antes mesmo do filme começar. Porque desgostando ou não do filme, a verdade é que já estávamos “in”, sentados naquele karaokê, muito antes deles chegarem. Afinal, quantos desses momentos vividos por eles, nós já não tivemos na vida, compartilhados com estranhos ou não ?


Talvez o suficiente para se incomodar com a sobrevalorização que deles faz o filme. Mas não ao ponto de percebermos, que neste mar de insensatez, nós também somos náufragos em busca de uma tábua de bom senso salvador. Por isto, ainda que alguém consiga recusar embarcar na onda do filme, provavelmente não encontrará uma resposta ou ajuda, em si mesmo. Pois então, estará na mesma situação de um drogado, que por alguma razão, conseguiu despertar dentro de si, uma vontade de se livrar do vício. Contudo, a dependência é tamanha, que só a força de vontade, já não basta. Será preciso algo mais, uma ajuda externa para tanto. Ajuda esta que não está fácil de ser encontrada e por isto mesmo, não demorará muito, para que outra onda de “alívio” se apresente, arrefecendo aquela débil vontade que surgiu, levando o sujeito a se afogar de novo, no mais do mesmo deste mar de inconsciência.

IV – BUT, FOR THOSE WHO WANT, THERE’S SOMETHING MORE THAN THIS:

Mas este texto sofreria do mesmo mal do filme (inconsciência das consequências dos valores que prega), se não assumisse a responsabilidade advinda da consciência, de que também pode servir exatamente como parte daquela ajuda “externa”. Ou seja, se ele conseguir despertar aquela débil vontade em alguém, de querer “largar o vício”, talvez já tenha cumprido sua finalidade. Mas a verdade é que, se assim conseguiu, então é porque ele pode dar mais. Se ele conseguiu acender uma tênue chama de luz, no meio desta escuridão de inconsciência que o cerca por todos os lados, então é porque ele pode apontar esta luz para a direção certa. Aquela em que se pode encontrar uma saída, para este beco aparentemente sem nenhuma, em que estamos vivendo há tanto tempo.

Para isto, voltemos nosso olhar, novamente, para “Lost...”. Mas desta vez, deixemos de lado os divertidos momentos vividos por Bob e Charlotte, para prestarmos atenção às cenas finais do filme. Guardemos o choro de Charlotte, a angústia de Bob por ter que fazer algo. Fiquemos com este incômodo, e deixemos que ele se instale. Logo se perceberá que este incômodo será difícil de suportar. Porque isto vai levar, de imediato, a que o sujeito force sua atenção para onde ele, há muito tempo, não olha mais: a si mesmo. Mas a si mesmo, como sendo também uma história de um filme que está sendo contada. E poderá se surpreender então, com o quanto esta história é parecida com “Lost...”. Ou seja, recheada de momentos, bons e ruins, desconectados uns dos outros, porque não há um sentido que dê, não só unidade ao ser, mas também significado à vida.

E para conseguir encontrar este sentido que direciona ao futuro e dá significado, será preciso suportar este incômodo. Se assim conseguir, então ele ainda persisitirá, mas agora, por outra razão. Qual seja, haverá dentro de cada um, uma espécie de combate entre duas vontades antagônicas. Uma, que é aquela a que já me referi, que agora não só quer largar do vício, como quer encontrar este sentido para a vida, mesmo sem saber como fazer isto. Outra, valendo-se exatamente da fragilidade e incapacidade daquela, de mostrar como encontrar este sentido, rapidamente se apega à “realidade concreta” na qual o sujeito já está habituado a viver, preferindo manter tudo como está; ou seja, amortecendo aquele incômodo com o “alívio” mais próximo, como por exemplo, um canal qualquer de televisão.

E com isto, o campo de batalha interior de cada um, vai se delimitando. E no início, não há outra vitória, que não o impedir que aquela primeira vontade de preencher a vida de sentido, seja soterrada pelo mais do mesmo. Porque aquele sentido é por demais nebuloso no início, para conseguirmos justificar perante nós mesmos, o que afinal de contas, estamos querendo fazer da nossa vida. E exatamente por isto, aquela outra vontade, acostumada a não precisar de sentido nenhum, se faz passar pela própria voz da razão, “mostrando” que se não conseguimos enxergar aquele sentido, é porque ele não existiria .

Ou seja, neste combate, aquela primeira vontade que citei, começa em brutal desvantagem. Porque embora ela nada mais seja, do que a própria vida pedindo para ser instalada como realidade, em lugar da farsa que usurpou seu lugar, esta farsa ainda é, nesse momento, a realidade que se vive. Isto pode parecer paradoxal e é, mas nesse momento em que se toma consciência do vazio da própria vida, o sentido que se quer que ela tenha, é ainda por demais abstrato, uma quimera, um sonho, uma aparente fuga, um suposto alívio à realidade da vida. Ou seja, ele é tão vazio de realidade concreta, quanto a própria vida, naquele instante. Por isto, a única forma de começar a virar este jogo, é admitir, neste momento, que aquela segunda vontade que citei, tem aparente “razão”: “Sim, parece um sonho. Sim, parece uma fuga. Sim, eu não sei explicar direito, o que é que eu estou querendo.”

Acontece que esta aparente confissão de derrota, nada mais é do que a primeira vitória contra a irrealidade. Como esta fuga constante em busca de “alívios”, é em si mesma irrealizável, isto quer dizer que, por mais que ela possa ser nossa atual realidade, ela é apenas uma máscara cobrindo a verdadeira realidade concreta, qual seja, um imenso vazio. Isto quer dizer que, para que isto possa se fazer passar como se realidade fosse, então é porque nós mesmos não sabemos mais discernir aquilo que tem consistência real, daquilo que somente aparenta ter. E neste exato momento, em que se percebe que o sentido da vida ainda não é uma realidade, mas mero desejo, então é exatamente esse discernimento que começamos a possuir. Ainda que seja para tomar consciência que aquilo que deveria ser, ainda não é. Ou seja, é só com esse discernimento, que será possível também perceber a verdadeira consistência e sentido desses “alívios”, que constantemente estamos buscando. E então, perceberemos que esta consistência real é tal como bolhas de sabão, que como bem disse Sofia, “don’t last”.

E pode apostar que, quando menos se esperar, então aquele sentido que tanto se buscou, mesmo sem saber bem o que ele é, será uma realidade concreta. Porque quando se conquista um sentido para a vida, é uma conquista diferente de quando você compra uma casa, por exemplo. Seja qual for o esforço necessário para conseguir o dinheiro suficiente para comprar uma, a verdade é que só se considerará conquistado o objetivo, uma vez que a casa esteja comprada, em seu nome, sem quaisquer ônus. Com o sentido da vida, não é assim. Ele não é algo que se conquista no “final” do esforço para tanto. Ao contrário, ele já começa a ser conquistado, no instante mesmo em que sua busca se inicia.

Mas não quando se trata de uma busca puramente “mental”, de mero desejo de que exista um sentido para a vida. Assim não se conquista nada, senão o mero reconhecimento de uma possibilidade que sempre existiu. Não, esta busca deve ser real, feita não só de palavras e pensamentos, mas de atos concretos, com consequências reais. Porque só assim, haverá então uma história de atos sendo contada e não apenas de possibilidades irrealizadas. E é só através desta história concretamente realizada, que se poderá compreender o que é o sentido da vida. Por isto, quando a vida tem e/ou faz sentido, explicar que sentido é este, é no mesmo ato, explicar quem se foi, é e se quer ser. Ou seja, é contar uma história de vida sendo verdadeiramente realizada, e não apenas suspirada na solidão de um hotel no Japão. Por isto é tão difícil vislumbrar este sentido, antes dessa busca real começar. Porque afinal de contas, como é que você pode querer adivinhar o final do filme, se você não passou nem das cenas iniciais ?

Mas fomos muito longe. Demais até, para quem nem começou a sair do lugar que se encontra. A verdade é que ainda mal conseguimos perceber aquelas duas vontades se contrapondo. Por isto mesmo, na melhor das hipóteses, estamos naquele momento em que se parou para pensar na vida, na sua falta de sentido, mas ainda não se tomou atitude alguma. E para se chegar a tomar alguma, será preciso antes fotalecer aquela primeira vontade, fazê-la renascer das cinzas do automatismo criado pelo hábito da fuga perante si mesmo, preenchendo-a também de possibilidades reais, que possam vir a ser realizadas concretamente um dia.

Mas aquele drogado que decidiu se ajudar, tem algo que nós não temos. Ele pode ser internado numa clínica especializada, ser levado para longe da oferta das drogas, para passar por um processo de limpeza, ao mesmo tempo em que fortalece sua vontade com a ajuda de psicólogos, grupos de ajuda, família e amigos. No nosso caso, não há uma clínica que possa nos tirar do vazio que existe dentro de nós mesmos. Será preciso efetuar este processo de fortalecimento da vontade, ao mesmo tempo em que se enfrenta um verdadeiro “tsunami” de ofertas de “drogas”, que vem exatamente para enfraquecer aquela. Difícil, não ? Mas não impossível. Nessas horas, sempre me lembro de Gimly, o personagem anão do Senhor dos Anéis, em uma de suas divertidas falas, ao final da trilogia e antes da última batalha: "One attempt to make, zero chance of success... what are we waiting for!?"

E se aquele viciado, durante um bom tempo ainda, precisará ser drogado (agora, com remédios), para aliviar os efeitos da síndrome de abstinência, não temos como escapar disto também. Ou seja, neste início, ainda será preciso usar um pouco do feitiço, contra o feiticeiro, se um dia se quiser ficar livre de ambos. E que melhor “remédio” podemos querer, do que um que traga todos os ingredientes da doença, mas acrescido da fórmula para começar a vencê-la ? Ou seja, que tal um outro filme, surgido na mesma época de “Lost...”, que concorreu com ele na mesma categoria no Oscar já referido, e ainda por cima, também se vale de uma canção, como trilha sonora para nos chamar novamente à razão ?

V – WHY DON’T YOU COME TO YOUR SENSES ?


"In America" (Terra dos Sonhos), dirigido por Jim Sheridan e escrito por ele e suas filhas, num relato muito autobiográfico, conta-nos também a história de um casal que está perdido na vida, assim como Bob e Charlotte. Contudo, não se tratam de dois desencontrados que se encontraram por acaso; mas sim de dois encontrados que se desencontraram, por uma fatalidade do destino. Sarah (Samantha Morton) e John (Paddy Considine) são casados e perderam um filho. E por não saberem lidar com esta perda, saem da Irlanda, onde nasceram e moraram a vida toda, com suas duas filhas restantes, para irem morar em Nova Iorque, em busca de sabe-se lá o que. E fugindo desta dor, chegam à América, onde o filme verdadeiramente se passa.

A diferença entre “Lost...” e “In America”, é que este valoriza a vida de seus personagens, não apenas alguns de seus momentos vividos, sejam eles bons ou ruins. Ele não se apega ao alívio que momentos de prazer podem proporcionar, muito menos se rende ao sofrimento que parece eterno. Por isto mesmo, ambos os personagens se defrontam com seus fantasmas, medos e angústias. E ao final, saem do túnel escuro em que acabaram perdidos, para se reencontrarem no valor sagrado do amor em família.

Pode ser que “In America” não seja tão bem feito, cinematograficamente, quanto “Lost...”. Mas ele também produz um profundo impacto emocional ao seu final, tão encantador quanto. E por isto, ele serve tanto como “droga”, como remédio. Porque estas fugas que empreendemos, como a que se dá com “Lost...”, se faz principalmente através desses impactos emocionais, que aliviam a existência num primeiro momento, para depois torná-la ainda mais insuportável, como se viu com Charlotte. “In America”, assim, também pode servir apenas como mais um “alívio”, onde o final feliz encubra o esforço efetuado para se obtê-lo. Mas ainda assim, é um alívio verdadeiramente curativo, não hipnotizante. Porque embrulhado neste impacto emocional, vem também uma lição de vida. Uma lição ensinando que, aquilo que cada um faz consigo e por si mesmo, nesses difíceis momentos mostrados por ambos os filmes, é que acabará por tornar sua vida repleta de sentido, ou não. “In America” nos mostra personagens assumindo o sofrimento por que passavam, para transcendê-lo e seguir em frente, preenchendo sua vida de sentido e significado. Exatamente o que os personagens de “Lost...” não fizeram durante todo o filme.

Por fim, se “Lost...” nos deixa com uma canção na cabeça, aquela do Roxy Music, que involuntariamente se torna a trilha sonora do vazio de sentido da vida; “In America” também tem um antídoto contra isto. Assim, que “More Than This” seja ouvida até seus últimos acordes. E então, quando o silêncio final nos deixar com aquela sensação de “maturidade” de que “more than this, there is nothing”, voltemos à cena em que Christy, a filha mais velha daquele casal de “In America”, e a voz da razão naquela família, se apresentava no colégio, cantando a tradicional canção "Desperado", composta por Glenn Frey e Don Henley, acompanhada de uma professora ao piano. A câmera então, aos poucos, coloca o espectador do filme, num lugar específico da platéia, que descobrimos ser onde estava sentado seu pai. Em lento close, vemos então que Christy cantava especificamente para ele; ou seja, para todos nós. E candidamente implora:

Desperado, why don't you come to your senses?
You been out riding' fences for so long now.
Oh, you're a hard on, I know that you got your reasons.
These things that are pleasing you can hurt you somehow.


É compreensível que todos nós tenhamos razões para querer realizar uma “prison break”, como “Lost...” serve de exemplo. Mas é justamente isto que acaba nos trazendo mais sofrimento ao final, como se viu com Charlotte. E continuará trazendo, senão voltarmos à razão, que nos dá a evidência de que, por mais divertido que sejam momentos como aqueles, eles jamais compensam, se apenas servem para nos distrair da responsabilidade que temos perante nossas próprias vidas.

Don't you draw the queen of diamonds, boy.
She'll beat you if she's able. You know the queen of hearts is always your best bet.
Now it seems to me some fine things have been laid upon your table.
But you only want the ones that you can't get.


Na verdade, chegamos num ponto, em que pouco importa as cartas que tenhamos nas mãos, porque na verdade, o que estamos recusando é simplesmente jogar o jogo, fazer uma aposta, seja ela qual for. Por isto mesmo, o jogo da vida parece já perdido, antes mesmo de ter começado...

Desperado, oh, you ain't getting no younger
Your pain and your hunger, they're driving you home.
And freedom, oh freedom! Well, that's just some people talking.
Your prison is walking through this world all alone.


Não importa nossas pseudo-justificativas para a fuga de nossas responsabilidades. Sejam quais forem, serão sempre palavras vazias de sentido e comprometimento. Exatamente porque não nos comprometemos, em primeiro lugar, em sermos responsáveis por darmos às nossas vidas, um sentido. E aí só sobra a prisão da solidão aparentemente eterna, de quem se recusa a encontrar-se consigo mesmo.

Don't your feet get cold in the winter time?
The sky won't snow and the sun won't shine.
It's hard to tell the night time from the day.
You're losing all your highs and lows.
Ain't it funny how the feeling goes away?


A inversão de valores a que me referi… Não sabemos mais diferenciar o óbvio do absurdo. E assim vamos perdendo nosso bom senso, chegando ao ponto de não termos mais nenhuma referência básica, que nos diz o óbvio de que: se Charlotte terminou sofrendo daquele jeito, como não tinha sofrido até então, então é porque os tais momentos de prazer foram antes um mal, do que o bem que se imagina.

Desperado, why don't you come to your senses?
Come down from your fences, open the gate.
It may be raining, but there's a rainbow above you.
You better let somebody love you, before it's too late.


O arco-íris. O símbolo perfeito para nos dizer que, more than this, there is something. E se não vivemos em confiança disto, então viveremos como os personagens de “Lost...”, na melancólica repetição do vazio de sentido.



Enfim, este texto chega ao seu final, com esta canção ainda ecoando pelas paredes vazias da nossa razão. Mas claro, não haverá “cura” alguma aqui. Talvez, possa haver alguma pequena ajuda, como realmente se pretende. Mas ainda assim, será uma ajuda com o poder de uma dose de remédio. Ou seja, se traz em si uma parte da cura, também traz consigo, uma parte da doença. Por isto, este texto termina tão ausente de respostas, a quem queira saber por que a vida deveria ter um sentido, como repleto de razões para convencê-lo a começar a procura por um. So, why don’t you come to your senses ?

8 Comments:

Anonymous martim vasques said...

Prezado Francisco:

Idéia genial a sua de criar esse blog com ensaios sérios e profundos sobre filmes que DEVEM ser comentados. Isso foi algo que havia com o Pedro Sette Câmara e com o Álvaro Velloso no Indivíduo e depois tentei aprofundar com alguns textos meus no mesmo site.

Seu texto sobre Lost in Translation é bom, mas creio que há um erro de percepção seu ao acreditar que a película é niilista quando, na verdade, é uma crítica singela do vazio espiritual da modernidade.

Quanto ao seu ensaio sobre Million Dollar Baby foi simplesmente a melhor coisa que já li sobre a obra-prima de Clint Eastwood. Vc foi no ponto do filme e citou o momento exato em que a problemática foi apresentada: na resposta do padre. Perfeito.

Continue assim que, da minha parte (se é de alguma importância), vc sempre terá um leitor cativo.

Abraços

Martim

23/4/05 21:15  
Blogger Francisco Escorsim said...

Caro Martim:

Fico honrado com sua presença, que é de importância sim. Obrigado pelos elogios. Sempre li teu textos, seja no Indivíduo ou não, e me servem de inspiração.

Quanto a "Lost...", quando assisti o filme eu também achei que fosse uma crítica (mal feita, é verdade) ao niilismo da sociedade. Mas quando eu vejo que a "consequência" do filme é despertar exatamente uma valoração positiva dessa vazio existencial, fiquei com os dois pés atrás.

Resolvi revê-lo e acompanhar as declarações da diretora e aí não pude condescender. Se a intenção dela até pode ter sido de criticar esse vazio existencial, ela no entanto não o consegue em nome de nenhum valor que preencha a existência. E portanto, se entrega à entropia do nada, do prazer do momento, etc...

Eu procurei mesmo algum "sinal" do filme que apontasse para um algo mais nas vidas dos personagens, mas a única coisa que enxerguei foi o divertimento e "more than this, you know there's nothing".

Eu acho que o filme só serve como critica ao vazio quando apontamos o próprio vazio do filme. Senão, acho ele muito perigoso no "embalo" sentimental que provoca e vai nos levando sem percepção de que o abismo é o que restará desta viagem.

Obrigado novamente pelas palavras e espero continuar ser digno da sua leitura cativa.

Um abraço.

24/4/05 11:51  
Anonymous Anônimo said...

Francisco, não sei como poderia te agradecer por esse texto. É verdade que preciso ver o filme de novo - acho possível que você esteja enganado quanto a um ponto importante: o choro de Charlotte no final não me pareceu de sofrimento, mas de felicidade e alívio, como o de uma criança que fica surpresa ao ganhar seu presente de Natal, depois de te ter pensado que seus pais a haviam esquecido.
Mas sua crítica é tão cheia de profundidade, de uma profundidade que eu tanto procuro no que vivo e no que leio, e encontro tão pouco...

Um abração

Marcio Hack

PS- Achei ótima tua interpretação do Equus. Não poderia ter acertado mais - poderia ter escrito mais, isso sim ;-) Vou correndo ler Flannery O'Connor.

25/1/06 03:47  
Blogger Francisco Escorsim said...

Marcio, respeito sua opinião, mas se a sua interpretação está correta, o filme é pior ainda. Porque afinal de contas, durante o filme todo, os pais dela não são mostrados como a "fonte" para o vazio da sua vida. Eles só aparecem no filme como uma possível ajuda a que Charlotte recorre e se frustra. Que o choro dela possa significar uma tomada de consciência do vazio de sua vida, posso até discutir. Mas enxergá-lo como "alívio e felicidade", me parece demais. Porque "alívio e felicidade" ela achava que estava tendo ao lado de Bob. E quando este parte, é exatamente a perda desta ilusória felicidade que a faz sofrer.

Muito obrigado pelos elogios. Mas fico mais feliz sabendo que vc lerá O'Connor. Corra mesmo.

Um abraço.

25/1/06 10:06  
Blogger Luluy said...

sim, este novo texto sobre Lost in Translation conseguiu ficar ainda melhor que o primeiro.
é triste, mesmo, ver quanta gente tem chegado a um ponto em que a falta de sentido da vida, dada já como certa, começa quase a ser festejada, mentira que logo se torna evidente. ler os jornais é ocasião para perceber como tem gente se entorpecendo com bobagens por aí. um exempo é a idéia difundida por cientistas ateus de que "há beleza nas ciências naturais, não precisamos de Deus, obrigado"; quando leio coisas assim penso "oh my, alguém avisa pra esse cara o quanto ele parece um adolescentezinho estúpido". sem contar os zilhões de conseqüências perigosas desse pensamento, como célula-tronco, aborto, eutanásia e muitas outras.

6/2/06 02:18  
Anonymous Krazzy TV said...

so nice... i must say there alot we have been thinking though.. it's all infront of us

26/12/13 19:05  
Anonymous Watch Pak Drama said...

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26/12/13 19:06  
Anonymous game iwin said...

Idéia genial a sua de criar esse blog com ensaios sérios e profundos sobre filmes que DEVEM ser comentados. Isso foi algo que havia com o Pedro Sette Câmara e com o Álvaro Velloso no Indivíduo e depois tentei aprofundar com alguns textos meus no mesmo site.

18/1/14 06:57  

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